Considerações sobre o épico lusitano

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Por Pedro Pereira Buccini

A transmissão televisiva

Para transmitir a final da Eurocopa, a Globo alterou o dia do jogo exibido do Brasileirão para sábado. Completamente aceitável não fosse o fato de que a emissora nunca transmitiu uma final de Copa América ou Libertadores em que o Brasil não estivesse representado. Logo surgiram as acusações perante o colonialismo global.

Pode não ser injusto para outras situações, mas não é o caso. Diferentemente da Conmebol, a Uefa insere diversas exigências nos contratos de cessão de direitos de suas competições. No caso da Eurocopa, o contrato, assinado em conjunto com a Bandeirantes, obrigava a emissora paulista a transmitir todos os jogos da competição – exceto os seis jogos da rodada final da fase de grupos por motivos óbvios – e a emissora carioca a transmitir cinco jogos, sendo três delas as semifinais e a final. A Globo transmitiu seis, pois quis evitar a audiência da concorrente e parceira no jogo entre Itália e Espanha. Clique aqui para entender melhor este acordo.

O mesmo é válido para a Liga dos Campeões. Clicando aqui e aqui, você compreenderá o porquê de tantos jogos transmitidos pela principal emissora brasileira da competição de clubes europeus nos últimos anos. Este será mais um ano que estamos privados de assistir finais das competições sul­americanas. Mas não é porque a emissora carioca prefira o futebol europeu, mas porque para ela são negócios em que só faz o que é obrigada por contrato e a Conmebol não a obriga à nada.

Da importância da ausência de Cristiano Ronaldo na decisão

Não quero discutir a qualidade do jogador. Costumo lembrar de um velho provérbio para descrever tanto ele, quanto Messi: em terra de cego, quem tem um olho é rei. No caso dos dois, eles tem dois olhos na terra de cegos que é o futebol moderno. Mas o ponto é outro: a mídia, em geral, individualiza um esporte que é coletivo. Seja na exploração da imagem de atletas deste porte, no exagero do feito deles (basta ver as reportagens tentando colocar o título português em uma suposta aura de liderança de Ronaldo, a mesma de Ricardo Rocha em 1994) ou em jogos como o Cartola, onde o individual se sobressai sobre o coletivo.

Mas o esporte é coletivo, camaradas. E quem ganha é quem joga. Cristiano Ronaldo não jogou a final da Eurocopa graças a uma dividida onde não estava tão concentrado como costuma – não houve maldade de Payet. Ganhou o título um conjunto consciente de suas limitações, composto por jogadores que se desdobraram para superar suas dificuldades. Eles que estavam em campo, não Cristiano.

Se A Profecia de Sirena do ludopédio se concretizou foi pelas defesas dificílimas de Rui Patrício nas finalizações de Griezmann, Sissoko e Giroud; pelo posicionamento e a precisão na defesa de Fonte e, principalmente, Pepe; pela combatividade de William Carvalho; pela capacidade de João Mário, Renato Sanches, Nani, João Moutinho e Quaresma para prender a bola e trabalhar as jogadas; e pela estrela absurda do GABIRU português, Éder, para aproveitar a jogada que começou com uma roubada de bola após cobrança de lateral francesa, pois Portugal pressionava a saída do adversário por seguir completamente as orientações táticas e de estratégia de Fernando Santos.

Cristiano Ronaldo também foi importante, mas nos outros jogos. E jamais saberemos se os lusos bradariam esta conquista se estivesse em campo até o apito final. Éder chutaria àquela bola com ele para passar? Por isso, o futebol é fantástico: o coletivo é muito mais importante que o individual.

Da representatividade de um título europeu de Portugal

A atual campeã mundial, a Alemanha, fracassou em todas as competições de seleções com esta geração ou com a anterior, mesmo chegando na semifinal em todas – exceto pela última Copa, óbvio. A Argentina, possivelmente a seleção com mais talentos individuais atualmente, fraquejou em todas decisões que disputou. A Espanha, campeã mundial de 2010, tinha um conceito de jogo, mas sem craques para torná­lo empolgante. O mesmo vale para o Chile. A atual geração italiana é aguerrida, mas não tem os grandes jogadores que outrora vestiram a camisa da Azzurra. O Brasil ainda tem quantidade e até qualidade, mas falta – e muito – um conjunto.

O que quero dizer com isso é que o futebol mundial está nivelado. Não sou um profeta do apocalipse para dizer que é por baixo, mas definitivamente o nível não é dos mais altos da história. É medíocre, na acepção original do termo: de qualidade média. É um futebol onde os principais jogadores demonstram a uma incapacidade de decidir nos momentos cruciais, gerada possivelmente por ma acomodação devido ao fato de estão reunidos em um punhado de clubes milionários, que pinçam os melhores nos rincões do planeta. Já escrevi sobre isso aqui. Alie isso ao pragmatismo e racionalidade excessiva, que tomaram conta do esporte bretão nos últimos 30 anos, e temos um ambiente propício para um jogo rígido e extremamente padronizado, fundamental para a prioridade mercantil atual, bem distante da arte que aspiramos ver dentro de campo.

Aí chegamos à badalação da anfitriã França. O que ganhou Pogba? Conquistar títulos italianos pela Juventus na década de 2010 é bem mais simples do que na década de 1990. Griezmann é outro atleta com potencial, mas que ainda não conseguiu se destacar nos momentos em que mais é necessário. Giroud é um centroavante mediano. Os volantes Sissoko e Matuidi não tem a envergadura para assustar oponentes só com sua presença. E apesar disso tudo a França era a favorita, pois jogava o futebol mais “convincente” da Europa. E durante a competição bateu a Alemanha com autoridade. Alemanha, que sofreu para passar da aguerrida Itália, que passou por cima da ótima geração belga, que superou a Suécia, mas caiu para Galês, que perdeu para a Inglaterra, que passou vergonha para a Islândia, que empatou com Portugal, mas tomou um vareio da França.

O nivelamento é tanto que a pequena superioridade francesa não seria suficiente diante de uma seleção muito aplicada e dedicada. E olha que os anfitriões se esforçaram muito também, mas pararam em Rui Patrício e na trave – como se lamentará Gignac. Basta lembrar que a Albânia – podemos dizer a “ótima geração albanesa”? ­ – derrotou as duas finalistas desta Euro recentemente. O título de Portugal representou este futebol moderno mediano. Uma equipe esforçada e com um craque, que jogou sem esse craque na final, é capaz de conquistar o taça. É semelhante ao Chile. Mas nossos vizinhos, assim como os espanhóis, possuíam uma ideia de jogo. Portugal, não. Ou melhor, a ideia éo pragmatismo e a dedicação à enésima potência pelos resultados. É válido.

Nesta conjuntura é impossível prognosticar qual das seleções campeãs mundiais têm mais chance de beliscar a Copa do Mundo daqui dois anos. Ou quem sabe não será uma campeã inédita: Chile ou Portugal? Por que não Bélgica ou Colômbia? A anfitriã Rússia, apesar dos péssimos resultados recentes, não tem porque não sonhar. E, se duvidar, Albânia e Islândia estão logo ali à espreita…

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