Giuseppe Meazza : “il balilla”

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No dia 19 de junho de 1938, Giuseppe Meazza, capitão da squadra azzura, cumprimentava o então presidente da República francesa, Albert Lebrun. A Itália acabava de conquistar o bicampeonato mundial na casa do rival ao vencer a Hungria por 4 a 2.

Um mundial marcado por forte tensão por causa da grave crise política que atravessava o velho continente. A imagem que ficou marcada na memória dos torcedores presentes no estádio de Colombes, foi do craque Meazza  esticando o braço direito fazendo a saudação fascista na cara e na terra do presidente francês.

A imagem, com toda a sua simbologia, representava a vitória do fascismo em terras inimigas, a qual segundo o Duce acusava ser uma democracia decadente e ultrapassada.

Apelidado de “balila”, nome originário de um jovem genovês que deu o sinal da insurreição popular contra o império austríaco em 1746 e sobretudo por analogia à organização da juventude fascista, Meazza surgia como o representante  desta jovem Itália entusiasmada e agressiva, que conquistava o mundo através do futebol.

O ex-centroavante da Ambrosiana-Inter e da Itália foi um craque do futebol europeu com seu talento reconhecido em todo continente. Na Itália, Pepin (apelido do craque em dialeto milanês) é ainda considerado o maior jogador italiano de todos os tempos, duas vezes campeão mundial (1934 e 1938) e três vezes campeão da Itália com a Inter de Milão. O melhor retrospecto de um jogador entre as duas guerras.

Giuseppe Meazza nasceu no dia 23 de agosto de 1910, em Milão, no seio de uma família bem modesta, no bairro popular de Porta Vittoria. Seu pai foi morto em 1917 durante a Primeira Grande guerra, no fronte austríaco. Sua mãe vendia legumes nas feiras da capital lombarda para sustentar a família.

Ele se apaixonou desde cedo pelo futebol: a partir dos sete anos de idade, o jovem Giuseppe jogava na periferia milanesa e iniciava seu percurso no Gloria FC um time da ULIC (Unione Libera Italiana del Calcio), fundada em 1917. Descoberto pela Internazionale depois de ter sido rejeitado pelo rival Milan, por causa de sua aparência física debilitada (1,69 m de altura). Vale lembrar que era a época em que o futebol se abria para os pobres, recebendo gente marcada pela miséria do período entre guerras.

Em um torneio de pré-temporada disputado em Como, no mês de setembro de 1927, ele fora escalado no ataque marcando dois belos gols. Três anos depois, no final da temporada 1929-1930, ele conquistou com a Ambrosiana-Inter, o primeiro campeonato da Serie A, em um único turno, marcando 31 gols. Quase na mesma época, no dia 9 de fevereiro de 1930, em Roma, ele se apresentou pela primeira vez diante do ditador Benito Mussolini vestindo a camisa azul da seleção contra a Suíça. O jovem craque marcou dois dos quatro gols italianos. Desde então ele se afirmou como a figura principal do ataque da Azurra. Graças aos dribles e as assistências do atacante do Bolonha, Schiavio, na Copa de Mundo de 1934 e ao Piola, artilheiro da Lazio, em 1938 que a seleção italiana comandada por Vittorio Pozzo conquistou duas Copas do Mundo consecutivas.

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Meazza jogou 53 jogos pela azurra marcando 33 gols. Driblador habilidoso, especialista em gols de voleio e bom cabeceador apesar de sua baixa estatura, ele era considerado um atacante completo.

Meazza sempre fora o ídolo da Inter – Ambrosiana apesar do período da segunda guerra em que jogou nos rivais Milan e Juventus. Ele retornou ao seu clube de origem após a guerra e disputou sua última partida em 1948 aos 38 anos de idade. Ao pendurar as chuteiras, ele tentou uma carreira como treinador mas sem sucesso.

Falecido em 1979, em Rapallo, na costa da Liguria, Meazza fascinou multidões dos anos 30 pois ele representava o sucesso social, recebendo milhares de liras de salário em uma época que havia a famosa canção que evocava o sonho de milhões de italianos: “Mille lire al mese”, mil liras por mês, andava de carro ia de férias para o mar tirreno, Meazza incarnava o “Italian way of life”, segundo a ideia vendida pelas propagandas fascistas nos filmes da época.

Em 1980, O principal estádio de Milão, o San Siro, foi rebatizado com seu nome. No entanto, a sua alcunha varia conforme a equipe. Quando joga o Milan utiliza-se o tradicional San Siro em referência ao bairro onde está localizado o estádio e quando joga a Inter de Milão o estádio passa a ser chamado de Giuseppe Meazza, eterno ídolo dos Nerazzurri.

Giuseppe_Meazza_(Derby_d'Italia)

 Meazza no Derby d’Italia (Juventus x Inter)

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