SDT Na Bancada #33 Ódio Eterno ao Futebol Moderno

Relembrando do saudoso Futebol Urgente, nossos puxadores Irlan Simões e Matias Pinto trocaram ideia com Fred Elesbão e Gustavo Mehl sobre os 20 anos do manifesto Against Modern Football, que se espalhou por inúmeros coletivos europeus de ambos pólos ideológicos, no final do século passado, em meio ao processo de elitização dos estádios e surgimento de novos players.

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SDT Na Bancada #22 El Sevilla No Se Vende!

A nossa caravana sacou o passaporte da mochila e rumou para o sul da Espanha, onde parou NA BANCADA do estádio Ramón Sanchez Piszjuán, na principal cidade andaluz.

Foi lá, no bairro do Nervión, que a mobilização dos torcedores do Sevilla Fútbol Club chamou a nossa atenção: com o mote El Sevilla No Se Vende que membros do coletivo ultra Biris Norte se juntaram ao grupo Accionistas Unidos SFC e mobilizaram a afición sevillista contra a aquisição do clube por investidores estrangeiros.

Conversamos com Moisés Sampedro Contreras, presidente da AUSFC, para entender como se dá a transformação dos clubes espanhóis em empresas nos anos 1990, e as táticas elaboradas por torcedores e acionistas de base para proteger o patrimônio centenário construído pela paixão dos blanquirrojos.

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O Som das Torcidas #157 Religiões

Como bem definiu o historiador anglo-egípcio Eric Hobsbawm, o futebol é “quase uma religião leiga” do proletariado. Portanto, visitamos dez arquibancadas nas quais ecoam cânticos que expressam a religiosidade dos seus fiéis!

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O Som das Torcidas #146 TSV 1860 München

Sechzig!

Aproveitando o fim da Oktoberfest, visitamos Munique e novamente fomos guiados por Fred Elesbão pelas arquibancadas chucrutes.

Desta vez, para conhecer um dos clubes mais tradicionais do futebol alemão, anterior à unificação das regras da modalidade assim como da própria Alemanha.

A rivalidade com o vizinho mais famoso mundialmente – porém, menos popular na cidade – as conquistas do passado e a crise institucional do presente estão na pauta do nosso tour por Grünwalder.

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O Som das Torcidas #142 Seven Nation Army

A obra-prima do duo The White Stripes mostrou que ainda tem força nas arenas russas, ao ser escolhida pela FIFA como música de entrada das seleções durante as 64 partidas da Copa do Mundo.

Após uma inesperada vitória do Club Brugge diante do Milan, em pleno San Siro, em outubro de 2003, os torcedores belgas comemoravam nas ruas milanesas quando começaram a corear o poderoso riff composto por Jack White. Desde então, passou a ser tocada sempre que os blauw-zwart anotam gols no Jan Breydel Stadium.

Numa dessas oportunidades, o clube de Flandres recebeu a AS Roma e saiu na frente, contudo os romanistas viraram e os tifosi passaram a cantarolar “po po po po”. Alguns meses depois, a Itália tornaria-se tetracampeã mundial e durante celebrações no Circo Massimo surgiria o canto “Siamo i campioni del mundo” que se espalhou para além das Sete Nações derrotadas pela Azzurra.

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O Som das Torcidas #140 Hamburger SV

Die Rothosen!

Enfim o relógio do Volksparkstadion zerou e os dinossauros da Bundesliga foram rebaixados! Fred Elesbão nos guia pelo principal porto da Alemanha para apresentar uma torcida orgulhosa, mas que precisará de muita paciência na próxima temporada.

Conheça também as rivalidades e ídolos do campeão europeu de 1983, além dos diversos coletivos ultras da Nordkurve, que inclusive recuperaram o extinto FC Falke, um dos clubes que deram origem ao HSV.

 

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The Sound Of Silence

Apesar do bom começo de temporada para o Hannover 96 na Bundesliga, nem tudo são flores perante a torcida que declarou uma greve de silêncio dentro e fora do Niedersachsenstadion.

A medida radical é um protesto à tentativa do presidente, o milionário Martin Kind, de comprar o clube quebrando assim a tradicional regra dos 50% + 1 do futebol alemão, criada em 1999 e que protege os torcedores alemães de possíveis ofertas de aquisição por grandes investidores internacionais. Os Clubes são obrigados a manter a maioria das suas ações nas mãos dos sócios, evitando assim o modelo inglês, no qual qualquer mega empresário com bilhões em caixa pode adquirir instituições centenárias para brincar de cartola.

No entanto, toda regra tem suas brechas. Se um determinado investidor permanecer no clube por mais de 20 anos como patrocinador, este pode adquirir o restante das ações do clube, vide o Bayer 04 Leverkusen ou VfL Wolfsburg, que pertencem respectivamente a Bayer e Wolkswagen.

Kind, que assumiu a presidência em 1997, se encontra justamente nesta brecha, podendo assim adquirir o restantes das ações do clube devido às duas décadas no cargo. O único empecilho para essa aquisição é a Jahreshauptversammlung (a assembleia geral dos sócios), órgão máximo nas instâncias internas do clube, que (em teoria) deveria aprovar tal decisão.

Na última assembleia, em abril desde ano, Martin Kind e a direção do clube já não tinham a maioria absoluta para aprovação da venda, coisa que forçou o empresário a ignorar a decisão dos sócios gerando um grande descontentamento entre os torcedores. Resultado do impasse: uma greve de silêncio em todos os jogos, de local ou visitante, dos Roten.

Os ultras junto com mais de 90 fanclubs da Curva Norte assinaram uma carta aberta questionando a falta de democracia e o desrespeito com os sócios do clube. Perante todos os jogos a torcida permanecerá calada até que a democracia seja respeitada.

A batalha pelo Hannover 96 ainda não terminou, mas a equipe em campo já vem sentido a falta de apoio da arquibancada. Mas como em toda greve, vitoriosa ou não, a luta continua.

O modelo do futebol alemão com ingressos baratos e grandes festas nas curvas só é possível com democracia dentro dos clubes. Do contrário cada vez mais empresas – como a Red Bull – serão representadas na Bundelisga ao invés de comunidades locais, representando a morte do futebol alemão como conhecemos.

Um clube de futebol não precisa de um dono, mas sim de um presidente eleito democraticamente. Se o Hannover 96 perder essa batalha, toda a Alemanha perderá junto com ele. Enjoy the silence, Herr Kind.

*economista, professor, membro da Football Supporters Europe e sócio do Hannover 96 desde 2012

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Mamma mia

As arquibancadas do mundo já tiveram dias melhores. Fato!

Mas nem sempre tudo foi festa. Além do lado lúdico, festivo e democrático dos estádios, não podemos esquecer seu lado sombrio e cruel. Neste ambiente libertino, o ser humano sempre teve espaço para revelar o seu pior instinto. Nem tudo é festa na plateia do futebol, o ódio sempre esteve presente, dissimulado no pretexto da rivalidade. Homofobia, racismo, preconceito regional e outros predicados da bestialidade humana encontram seu lugar de honra nas arquibancadas do planeta.

Na Itália, onde a rivalidade histórica e secular se apoderou do futebol, os ultras das curvas (assim é chamada a parte popular atrás dos gols) se aproveitam deste pequeno universo para promover toda a sua aversão ao inimigo regional.

A Itália que já fora o centro de um dos maiores impérios da história, transformou-se por séculos em uma colcha de retalhos. Ela fora estuprada por inúmeros invasores formando vários pequenos burgos com identidade própria. Há um famoso ditado que explica o sentimento regionalista da península: Cada pequena cidade acredita que a sua torre é maior que a do vizinho. Estamos em 2015 e nada mudou desde então. Este sentimento atemporal dos italianos sempre será a sua maior riqueza e também o maior entrave para quem sonha transformá-la em uma nação uníssona e reta.

Dentre as inúmeras rivalidades históricas existentes na velha bota, as cidades de Roma e Nápoles levaram consigo a animosidade para o futebol, mais especificamente entre os times: Roma e Napoli, no chamado “Derby del Sole”. A rivalidade consiste no confronto entre as duas maiores cidades do sul, de um lado a capital administrativa “rica” e do outro o povo napolitano conhecido por seu espírito de contra poder histórico, representado na figura da Camorra.

Neste último final de semana, o estádio olímpico recebeu mais um derby do Sol. Tensão no mais alto nível entre os tifosi e as forças policiais. Um fato importante aumentou ainda mais o perigo neste último domingo. Há um ano, um jovem torcedor do Napoli fora assassinado por Danilo De Sanctis, famoso ultra da Roma, apelidado de Gastone. O homicídio ocorreu no dia da final da Copa da Itália de 2014, em Roma, entre Napoli e Fiorentina. Ciro não resistiu aos ferimentos e morreu 50 dias depois.

No derby deste domingo, a curva sul não poupou críticas à mãe do jovem assassinado. Uma faixa foi estendida com a seguinte mensagem:

faixa

“Que coisa triste… Lucro com o funeral… livros e entrevistas”.

Os ultras da Roma acusam a mãe de Ciro de aproveitar da morte do filho para ganhar dinheiro com livros e entrevistas.

A mãe, transtornada, logo explicou que o dinheiro obtido na venda dos livros iria para fundação “Ciro vive” e seria destinado aos hospitais de todo o mundo.

Mas não parou por ai, uma faixa com o rosto da atriz e apresentadora Sandra Milo foi exposta. Uma ironia pra lá de maldosa.

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A foto da apresentadora foi uma alusão a um episódio que ficou marcado na memória da televisão italiana. Durante o programa “L’amore è una cosa meraviglosa”, de 8 de janeiro de 1990, uma telespectadora telefonou dizendo que o filho de Sandra Milo, também chamado Ciro, fora vítima de um grave acidente automobilístico. Tudo não passava de uma brincadeira, no entanto, a apresentadora ficou transtornada e abandonou o estúdio aos prantos gritando “Oddio chi parla? Oddio chi è? Chi? Ciro? Dove? Noooo! Oddio!!” (Assista o fatídico episódio no vídeo abaixo)

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