O Som das Torcidas # 177 Maradona

Nos despedimos da nossa audiência em 2020 e também de Diego Armando Maradona, um mês após a sua morte, certamente o jogador que foi mais cantado pelas arquibancadas que defendeu nas canchas.

Do começo no Argentinos Juniors, passando pela seleção argentina, Boca, Napoli, Newell’s Old Boys e por último o Gimnasia La Plata, já como treinador, escutamos os cânticos em louvor a D10S.

Posts Relacionados

Na Bancada Live #03 Barra Bravas & Ultras

Nossa bateria trocou uma ideia sobre as duas produções dramáticas recentes da Netflix que retratam a cultura torcedora: a série Puer7a, que acompanha o cotidiano de uma fictícia barra brava argentina; e o filme Ultras, que mostra o estilo de vida dos tifosi napolitanos.

O papo foi voltado para as questões sociológicas e históricas ensejadas pelas obras, as narrativas utilizadas e as imagens que constróem sobre esses dois universos tão distintos.

Posts Relacionados

Mamma mia

As arquibancadas do mundo já tiveram dias melhores. Fato!

Mas nem sempre tudo foi festa. Além do lado lúdico, festivo e democrático dos estádios, não podemos esquecer seu lado sombrio e cruel. Neste ambiente libertino, o ser humano sempre teve espaço para revelar o seu pior instinto. Nem tudo é festa na plateia do futebol, o ódio sempre esteve presente, dissimulado no pretexto da rivalidade. Homofobia, racismo, preconceito regional e outros predicados da bestialidade humana encontram seu lugar de honra nas arquibancadas do planeta.

Na Itália, onde a rivalidade histórica e secular se apoderou do futebol, os ultras das curvas (assim é chamada a parte popular atrás dos gols) se aproveitam deste pequeno universo para promover toda a sua aversão ao inimigo regional.

A Itália que já fora o centro de um dos maiores impérios da história, transformou-se por séculos em uma colcha de retalhos. Ela fora estuprada por inúmeros invasores formando vários pequenos burgos com identidade própria. Há um famoso ditado que explica o sentimento regionalista da península: Cada pequena cidade acredita que a sua torre é maior que a do vizinho. Estamos em 2015 e nada mudou desde então. Este sentimento atemporal dos italianos sempre será a sua maior riqueza e também o maior entrave para quem sonha transformá-la em uma nação uníssona e reta.

Dentre as inúmeras rivalidades históricas existentes na velha bota, as cidades de Roma e Nápoles levaram consigo a animosidade para o futebol, mais especificamente entre os times: Roma e Napoli, no chamado “Derby del Sole”. A rivalidade consiste no confronto entre as duas maiores cidades do sul, de um lado a capital administrativa “rica” e do outro o povo napolitano conhecido por seu espírito de contra poder histórico, representado na figura da Camorra.

Neste último final de semana, o estádio olímpico recebeu mais um derby do Sol. Tensão no mais alto nível entre os tifosi e as forças policiais. Um fato importante aumentou ainda mais o perigo neste último domingo. Há um ano, um jovem torcedor do Napoli fora assassinado por Danilo De Sanctis, famoso ultra da Roma, apelidado de Gastone. O homicídio ocorreu no dia da final da Copa da Itália de 2014, em Roma, entre Napoli e Fiorentina. Ciro não resistiu aos ferimentos e morreu 50 dias depois.

No derby deste domingo, a curva sul não poupou críticas à mãe do jovem assassinado. Uma faixa foi estendida com a seguinte mensagem:

faixa

“Que coisa triste… Lucro com o funeral… livros e entrevistas”.

Os ultras da Roma acusam a mãe de Ciro de aproveitar da morte do filho para ganhar dinheiro com livros e entrevistas.

A mãe, transtornada, logo explicou que o dinheiro obtido na venda dos livros iria para fundação “Ciro vive” e seria destinado aos hospitais de todo o mundo.

Mas não parou por ai, uma faixa com o rosto da atriz e apresentadora Sandra Milo foi exposta. Uma ironia pra lá de maldosa.

sandra-milo-ciro-curva-sud

A foto da apresentadora foi uma alusão a um episódio que ficou marcado na memória da televisão italiana. Durante o programa “L’amore è una cosa meraviglosa”, de 8 de janeiro de 1990, uma telespectadora telefonou dizendo que o filho de Sandra Milo, também chamado Ciro, fora vítima de um grave acidente automobilístico. Tudo não passava de uma brincadeira, no entanto, a apresentadora ficou transtornada e abandonou o estúdio aos prantos gritando “Oddio chi parla? Oddio chi è? Chi? Ciro? Dove? Noooo! Oddio!!” (Assista o fatídico episódio no vídeo abaixo)

Posts Relacionados